As políticas de fomento do jogo responsável

As políticas de fomento do jogo responsável

Durante os anos 70, os poderes públicos, organizações não governamentais, a comunidade académica e alguns operadores de jogo começaram a questionar como conseguir que as populações mantenham condutas de jogo social e responsável. Começaram então as políticas públicas com o objetivo de fomentar a prática responsável do jogo, muitas das quais tomam o nome de Jogo Responsável.

Este tipo de programas partem de três princípios básicos

O primeiro é que o jogo se pratica sob determinadas condições e que apenas como uma forma mais de ócio e entretenimento, pode ser positivo e trazer benefícios para as pessoas jogadoras. Por exemplo a ilusão de poder ganhar um prémio ou a socialização em grupo.

Uma segunda ideia, que se depreende deste primeiro princípio é que, para que isto seja possível, todos os atores implicados no jogo se devem responsabilizar pelos impactos que ocasionam as suas atividades, identificando-os e trabalhando para minimizar os possíveis efeitos negativos que o jogo, da mesma forma que outro tipo de atividades humanas, sejam suscetíveis de causar.

Finalmente, o último elemento indispensável, é que os cidadãos disponham de uma envolvência segura para jogar e, também de toda a informação necessária para jogar de forma responsável e informada, afastando as falsas crenças, mitos e superstições que se costumam associar ao jogo sem qualquer fundamento cientifico ou racional.

Posto isto, podemos sintetizar estas três ideias numa definição de jogo responsável como aquele conjunto de valores, atitudes e práticas de jogo que, realizadas numa envolvência segura, proporcionam entretenimento e diversão às pessoas jogadoras e evitam ou minimizam as possibilidades de desenvolver uma conduta de jogo imoderado e, inclusivamente, uma adição.

Jogar de forma responsável

Num plano mais concreto, pode-se dizer que uma pessoa joga de forma responsável quando o faz seguindo algumas regras que lhe permitem manter o jogo sob controlo:

♦ Manter uma relação razoável entre o jogo e outras atividades de ócio;
♦ Não esquecer que o objetivo é passar um bom bocado, estabelecer relações sociais ou manter uma ilusão, em vez da obsessão de ganhar dinheiro ou jogar para esquecer problemas pessoais;
♦ Apostar quantias proporcionadas à sua capacidade económica e sempre com o dinheiro destinado ao ócio e não com o destinado à vida quotidiana;
♦ Jogar apenas durante o tempo que tinha planeado jogar;
♦ Poder deixar de jogar cada vez que quer, sem que tal acarrete qualquer dificuldade.

Políticas públicas

Para conseguir que a maioria da população assuma e pratique o jogo tal como acabamos de expor, os poderes públicos devem fomentar a colaboração da indústria do jogo, das entidades de apoio às pessoas jogadoras em reabilitação e de outros atores relevantes, impulsionando políticas públicas com o objetivo de levar a cabo atuações e estratégias muito variadas. Entre elas, para ilustrar alguns exemplos mais usuais, contam-se as atuações de sensibilização encaminhadas no sentido de fomentar as práticas de jogo responsável, dirigidas à população em geral, às pessoas jogadoras ou aos grupos especialmente vulneráveis, e que se traduzem na elaboração de materiais de divulgação, de atividades pedagógicas e educativas ou de ações comunicacionais. Também, aquelas atuações sobre a oferta e as condições de mercado do jogo que garantam uma envolvência segura para as pessoas jogadoras e que minimizem, na medida em que seja realizável, as possibilidades de desenvolver uma adição.

Este tipo de medidas tratam de estabelecer umas condições de jogo seguras que permitam compatibilizar a prática responsável desta atividade com a liberdade individual que têm as pessoas para decidir sobre os seus atos.

Desta forma, muitos países europeus, especialmente nos últimos tempos, os poderes públicos têm estimulado a responsabilidade social empresarial da indústria do jogo. Este paradigma empresarial implica uma gestão das empresas orientada aos seus grupos de interesse e a busca do equilíbrio entre o benefício económico, e a relação com o ambiente onde atuam. Também é habitual fomentar a investigação e a inovação sobre os procedimentos, os mecanismos e os sistemas técnicos relacionados com o jogo que favorecem ou garantem a prática responsável do jogo.

Em função dos objetivos que norteiam as nossas ações desde 2004, importa esclarecer que, se bem que as políticas de fomento do jogo responsável estão relacionadas, por razões óbvias, com aspetos do tipo terapêutico, não se ocupam unicamente da atenção sanitária da população, senão que principalmente centram os seus objetivos em prevenir que os cidadãos desenvolvam condutas de risco, problemáticas ou em último caso, aditivas. Dizendo-o numa linguagem mais simples, não pretendem assistir as pessoas que sofrem de uma adição, senão que pretendem que isso não venha a ocorrer e a adição não se desenvolva nunca.

Finalmente, importa registar que em Portugal, as iniciativas de fomento do jogo responsável não têm sido impulsionadas por órgãos públicos ou semi-públicos. De facto, apenas existem iniciativas espontâneas de cidadãos e de alguns operadores de jogo que começam a aflorar timidamente o jogo responsável como mais um elemento da atividade ordinária da empresa, que aposta num valor acrescentado à sua atividade de negócio.

REDE DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
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