Jogos de Fortuna ou Azar

Protecção dos Vulneráveis

 

Jogos de Fortuna ou Azar

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O Jogo sempre existiu, mas só recentemente é que assumiu a forma colorida e extraordinariamente acessível que conhecemos hoje. Essencialmente, o jogo consiste em colocar algo valioso – geralmente dinheiro – sobre o resultado de um evento totalmente imprevisível. Em outras palavras, algo regido por eventos que ocorrem por acaso – daí o termo “jogo de fortuna ou azar”.

Torna-se tarefa principal do jogador regular, utilizar toda a informação disponível para prever o resultado do jogo (embora seja, obviamente, imprevisível). Podemos perguntar por que alguém iria arriscar a sua segurança financeira em tal empreendimento duvidoso. Mas, a maioria dos jogadores, de jogos de fortuna ou azar, comporta-se sob a convicção de que o resultado do seu jogo depende das suas habilidades pessoais e que o exercício dessas habilidades nos momentos apropriados lhes confere uma vantagem sobre o jogo. No mundo do jogador, a habilidade pode influenciar o acaso. Na realidade, porém, com excepção dos jogos de perícia, o acaso tem a última palavra.

Em Portugal, o número de apostadores não deve andar longe do que conhecemos em relação à realidade de outros países europeus, em que mais de dois terços dos adultos apostam numa base regular. É reconhecido que para a grande maioria dessas pessoas, o jogo é uma actividade relaxante e não tem consequências negativas. Porém, para outros, o jogo torna-se um transtorno, caracterizado por uma vontade irreprimível de apostar dinheiro. Em última análise, domina a vida do jogador e tem uma infinidade de consequências negativas, sobretudo para ele próprio e seus amigos, famílias e empregadores. Em todos os estudos monitorizados pelo nosso observatório, os especialistas concordam que os custos sociais do jogo patológico são enormes.

Estima-se que, em Portugal, cerca de 1% da população adulta aposta excessivamente (não confundir com jogo compulsivo ou patológico, conforme a mediatização de informação descontextualizada pode fazer crer). Dado que a prevalência de jogo excessivo poderá estar relacionada com a acessibilidade dos jogos de fortuna ou azar e que novas formas destes jogos estão constantemente a ser legalizadas, tanto no nosso país como na maioria dos outros países ocidentais, esta percentagem poderá subir.

Surpreendentemente, foi há apenas duas décadas que o jogo patológico foi reconhecido como um transtorno mental. Alguns podem perguntar por que razão o reconhecimento do aspecto psiquiátrico do transtorno foi tanto tempo adiado, outros, no entanto, podem perguntar se o jogo merece o reconhecimento como um transtorno. De muitas maneiras, o jogo parece bastante inofensivo.

Na verdade, não é o acto de jogar em si que é prejudicial, mas, sim, o ciclo vicioso que é posto em movimento pelas tentativas dos apostadores para recuperar os seus prejuízos. Este ciclo inicia-se quando um jogador aposta o dinheiro que não pode dar-se ao luxo de perder e então, através de uma falha de lógica, continua a jogar, a fim de recuperar a perda. O jogador , enredado num ciclo vertiginoso de perdas, não consegue entender que o jogo é regido unicamente por eventos aleatórios e que a sua insistência na “caça” das perdas não irá alterar esse facto, por mais que  tente controlar o resultado do jogo ou inventar estratégias para “vencer o jogo”.

O nosso trabalho, desde 2004, assente no conceito do jogo responsável (www.jogoresponsavel.pt), tem como objectivo principal a prevenção do jogo excessivo, o tratamento de jogadores que já tenham desenvolvido problemas de jogo deve permanecer no domínio de especialistas que trabalham em programas de saúde pública, incluindo aconselhamento e outros serviços de saúde.

Finalmente, em grande parte como resultado de enormes pressões externas, parece que os jogos de fortuna ou azar serão contemplados com uma nova regulamentação, depois de uma dezena de anos de projectos adiados, por razões que a razão desconhece. Talvez seja a derradeira oportunidade do Governo restabelecer o seu papel de fiscalizador, sem Portugal perder a face perante os seus congéneres da União Europeia, dando condições ao desenvolvimento do sector sem perder de vista a essência da regulação – proteger os consumidores em geral, e os mais vulneráveis em particular. Isto, não é confundível com protecionismos de índole e interesses diferentes.

Observatório do Jogo Remoto

                                                                                                                         

OBSERVATÓRIO

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JOGO EXCESSIVO

Em boa hora enviámos para a Comissão Europeia o entendimento  que norteia o nosso trabalho desde 2004

  Entendemos que  devem  ser elaborados  estudos em  prestigiadas  universidades, em  cooperação com operadores e reguladores, recorrendo às bases de registos dos jogos na internet para estudar com precisão os comportamentos e os hábitos dos jogadores. Os resultados destes estudos podem proporcionar uma base empírica à  comunidade científica  internacional na área  da investigação em comportamentos de dependência 

Entendemos que devem ser lançadas campanhas maciças de educação, através de diversos canais de comunicação, com o objectivo de chegar efectivamente a toda a população, de maneira que esta possa perceber que existe uma verdadeira politica europeia em relação ao jogo e que as condições para um exercício responsável da actividade estão dadas   

A criação de observatórios do jogo que alertem e informem os consumidores sobre as práticas de cada operador poderá ser um incentivo para a implementação de boas práticas nos seus sítios de jogo online. A diferenciação positiva, em relação a uma concorrência pouco ética, poderá traduzir-se num capital de confiança junto dos jogadores.   

Criação de redes de assistência para jogadores compulsivos, começando pelos centros que já estão a trabalhar no tratamento das ludopatias. Esses centros deverão funcionar sobre uma plataforma tecnológica adequada que permita o intercâmbio de experiências, a actualização de conhecimentos e a colaboração mútua.

Comissão Europeia

Parlamento Europeu

 Parlamento Europeu

DESDE 2004
EDUCAÇÃO/PREVENÇÃO
O programa Jogo Responsável deverá contribuir para assegurar a protecção dos indivíduos, e da sociedade em geral, das consequências negativas do jogo e apostas a dinheiro e simultaneamente proteger o direito de quem pretende jogar.

Visite os nossos sítios:

         

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